Fazer um programa de computador, ou programar, é a arte de combinar expressões de uma linguagem de programação a fim de que esta combinação desempenhe uma função que solucionará o problema.
A programação de computadores, há poucas décadas se resumia a combinar posições de ligado e desligado numa série de chaves manuais para que, a cada ciclo, esta série que equivalia a uma instrução, fosse processada. Hoje, não é preciso muito para programar um computador. Com um pouco de dedicação até crianças conseguem.
Há quase três décadas atrás, a humanidade se via em meio a evolução daquelas máquinas, imaginando onde iriam chegar. Este exercício de imaginação foi retrato no cinema em 1982, no filme Tron[1].
Criado por Steven Lisberger[2] e Bonnie MacBird[3], dirigido por Steven Lisberger, o qual também assina o roteiro, Tron conta a história de um programador, Kevin Flynn (Jeff Bridges[4]), ex-funcionário da empresa Encom e criador de um famoso jogo, Space Paranoids, o qual teve seu código roubado por Ed Dillinger (David Warner[5]), que tornou-se executivo sênior da empresa devido ao roubo. Na tentativa de desmascarar Dillinger, Flynn acaba sendo transportado para dentro do computador, onde, com a ajuda do programa Tron, criado por Alan Bradley (Bruce Boxleitner[6]), precisa derrotar o Master Control Program, o Controle Mestre, para voltar ao mundo real.
Por ser um filme exibido há 28 anos, contarei detalhes da história a seguir para que, no dia 17/12/2010, todos possam ir ao cinema preparados para ver a continuação, intitulada Tron, O Legado.
Após os créditos iniciais, a animação em meio ao título Tron, mostra circuitos vistos do alto, lembrando uma cidade vista do mesmo ângulo, e culmina no mundo real, no Flynn’s, um estabelecimento repleto de fliperamas e jogos eletrônicos diversos. O local recebe o sobrenome do dono, Kevin Flynn, que após sua saída da Encom dedicou-se ao lugar.
Logo no começo, o espectador já é apresentado ao mundo virtual. Um jogador coloca fichas no fliperama do jogo Ciclo de Luz, motos super velozes que deixam rastros onde o adversário deve bater. O jogo inicia, a câmera se aproxima da tela e o espectador é transportado para outra dimensão, assimilando rapidamente se tratar do ponto de vista interno daquele jogo. Novamente outra aproximação de câmera, que termina no interior de uma das motos, revela uma figura humana com circuitos cobrindo o corpo, criando com isso uma identificação entre humanos e inteligência artificial.
O espectador deve ficar atento ao tom de cores utilizado nas cenas. As cores quentes, vermelho e laranja, são utilizadas para representar autoridade e os “inimigos”, e o azul para representar os “mocinhos”.
O Controle Mestre, equivalente não ao sistema operacional, mas ao processador, evoluiu sua forma de pensar e tem a intenção de dominar o mundo, derrubando sistemas de governos. Internamente, no mundo virtual, ele exercia um poder tirânico, aprisionando os programas e desacreditando-os sobre a real existência dos usuários, que antes eram vistos por eles como divindades. O Controle Mestre tem contato com Dillinger no mundo real através de uma grande tela sensível ao toque em formato de mesa.
As instruções eram inseridas em terminais que exibiam apenas linhas de comando, onde os usuários faziam requisições e esperavam respostas. Não era uma linguagem de programação e sim inglês como, por exemplo, REQUESTING ACCESS TO CLU. Uma expressão comum, muito utilizada no filme foi END OF LINE, que delimitava o fim de uma comunicação. Esta expressão foi utilizada também, porém verbalmente, pelos híbridos que controlavam as naves Cylon em Battlestar Galactica. É possível encontrar outras semelhanças entre estas histórias, como a forma que a inteligência artificial evolui e busca poder.
O helicóptero da Encom sobrevoando a cidade dá a sensação ao espectador de ver uma cena no mundo virtual, pois a aeronave possui luzes vermelhas na ponta das hélices e na extensão da calda, dando a impressão de ser um gráfico de videogame. Também quando Alan e Lora (Cindy Morgan[7]) se deslocam de carro pela cidade, as luzes de freio dos veículos são destacadas, dando novamente a impressão de estarem no mundo virtual em vez do real.
Alan possui um esteriótipo típico dos nerds programadores daquela época, muito parecido com Bill Gates, assim como o estilo de vida do Flynn lembra Steve Jobs. A comparação é inevitável, mas desnecessária. Programas eram representados no mundo virtual pelos rostos de seus usuários criadores no mundo real. Alan foi o criador do programa que dá nome ao filme, um aplicativo de segurança que monitoraria todos os demais, inclusive o Controle Mestre.
A Encom trabalhava em um raio lazer capaz de desmaterializar um corpo e materializá-lo em outro local. Uma espécie de teletransporte que não foi muito explorado na história. Envolvida neste projeto estava Lora.
Impedidos de continuar seus trabalhos devido a apreensão dos programas, Alan e Lora colocam Flynn em um terminal dentro da Encom, onde ele poderia invadir o sistema com maior facilidade, já que seus ataques externos foram barrados. Infelizmente, o terminal ficava bem à frente do lazer, o qual foi ativado pelo Controle Mestre, transportando Flynn para o mundo virtual.
Estando agora dentro do servidor, o Controle Mestre teria maior vantagem e facilidade para eliminar Flynn, mas este, com a respectiva ajuda interna de Tron e Yori e externa de Alan e Lora, consegue derrotar o Controle Mestre e retornar ao mundo real.
No momento em que o Controle Mestre é derrotado, Tron e Yori observam o horizonte mudar de vermelho para azul no mundo virtual. A cena seguinte une o virtual ao real, onde, do alto de um prédio, Alan e Lora observam a extensão da cidade, pela primeira vez exibida durante o dia, com o céu azul, assim como na realidade virtual. No helicóptero da Encom chega Flynn, agora no cargo de Dillinger e avisa para o piloto buscá-lo em uma hora. A câmera exibe novamente o horizonte e o espectador vê, através de imagens aceleradas, a noite cair.
Agora você está preparado para, a partir da próxima sexta-feira, 17 de dezembro de 2010, conferir a continuação dessa história nos cinemas.
Links do post
[1] Detalhes do filme Tron
[2] Steven Lisberger
[3] Bonnie MacBird
[4] Jeff Bridges
[5] David Warner
[6] Bruce Boxleitner
[7] Cindy Morgan
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1. Edson Sguizzato
disse:
December 12th, 2010 às 4:32 pmVídeos relacionados a Tron, O Legado:
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December 11th, 2010 at 8:36 am
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